quinta-feira, 5 de abril de 2007
quarta-feira, 4 de abril de 2007
saturday at Ps1
E la vamos eu e paulinha ao ps1, o primo jovem do Moma.
No verao eles tem concertos e djs e a coisa toda eh uma super balada.
Como fica em long Island City, eu costumava ir a pe quando morava em greenpoint, sobre uma ponte que dava vista pra um cenario bladerunneriano, com direito a estruturas redondas e chamines em chamas. Dessa vez nos perdemos um pouco, mas eh sempre algo a mais pra conhecer, essas redondezas estranhas e alienigenas... Apesar de nem ser tantas paradas de metro de distancia, parece outra cidade ja...
Na primavera a luz eh linda mas nao sei porque fecharam o telhado, meu favorito.
As obras em si eram interessantes, ou nao. Uns trabalhos do vik muniz (alguns otimos, como as criancas do carnaval feita de acucar e a pintura de narciso feita com pecas de ferro velho. outros meio patz, como a marylin monroe de diamantes).
Umas fotos do abbas khiarostami, chatas como seus filmes,
O trabalho do fotografo tom sei-la-o-que. Tudo em preto-e-branco e varias fotos de do sol entre as nuvens. Achei que essas fotos tinham um movimento peculiar em que vc nao sabe se o copo esta meio cheio ou vazio, se o sol esta aparecendo ou sumindo... Gostei.
De noite, a famigerada green party, em homenagem ao green card do carlos...

wii and ps3 @ Swankonia (now the pics)
Carlos e Aya jogando tennis no wii. Camiseta foi presente...
Meu jogador de tennis
Isso aqui por outro lado se chama PS3
Houve um tempo que videogame pra mulher era isso
WII: controle fenomenal, graficos toscos.
O controle funciona de dois modos: tao facil que nem tem graca (boliche)
E tao complicado que eh quase impossivel (boxe)
So o tennis fica no meio termo.
O Ps3 parece um Ps2 um pouco melhor e sem fio.
E essa escotilha na verdade eh um fogao mais velho que eu...
@12:36
tags:games,new york,photos by me
terça-feira, 3 de abril de 2007
Para...
grafo raios quedas lelepipedos frase normal mecio metro bolas
-,-,-,-,-,-,-,-
Um paragrafo nasce em meio ao branco absoluto enquanto todos os outros nascem em meio a outros paragrafos. Este nao pois nao havia branco a quebrar ou onda no mar. Este nasceu entre blunts e elephants, no mesmo dia que abandonei um carrinho cheio de compras deliciosas no trader joes porque a fila era enorme e eu odeio filas. e gente. e gente nas filas. Um paragrafo meio bom, sob medida para uma meia vitoria. Ou talvez meio anonimo meio punk rock.
@22:38
1 intromissões
tags:escritos
Mas esses americanos sao todos uns loucos, ja dizia obelix
Vi isto na frente de um pet shop.
Fiquei espantado e meio na duvida
sera que o hamster se diverte tambem ou so o dono?
Dizem que eles gostam de correr... mas e se der enjoo?
Pq se o hamster se diverte tudo bem, passa.
Senao eh muita crueldade so pra entreter um imbecil.
Eh diferente quando vc usa isso pra gerar energia, como nos carros 1.0 cujo motor eh composto de hamsters
Sera que fazem isso em tamanho de gente tambem? AI sim seria legal. Tenho uma lista de candidatos pra jogar la dentro.
Gente: humpf.
vou sugerir pro fabricante a versao lemingue,
em que a pista termina em um penhasco...
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Deptra dseam 3sub 21and
Acordo sete da manha para ir ao hospital visitar meu velhinho, que estava operando seu cancer. Meus dentes comecaram a bater e fui obrigado a dormir mais meia hora, dessa vez de meias e pullover, pra conseguir sair da cama depois. Nao eh novidade que odeio acordar cedo, mas no ar gelido do meu quarto a coisa tava feia.
Chegando no metro um cara estava tocando um mini-violoncelo, ou um violino gigante. Uma musica linda, fiquei meio tocado. Ouvi um pouco, dei uma moeda e fui pro trem. No caminho um mendigo me pede um trocado e resmunga algo apontando pro musico. Mesmo sem entender as palavras dele sei que ele disse "vc deu pro musico e nao vai dar pro homeless faminto?" Saco um dolar e dou pro homem. Quase meia hora depois me dou conta qual era a musica: kronos quartet tocando philip glass, em especial, a musica que usei no meu projeto dream74. Ah esse mundo das coincidencias, que existem e sao apenas meras.
Algumas coisas no trem me chamaram a atencao, e anotei rapidamente no meu celular, em um codigo mnemonico pra nao precisar escrever tudo naquele tecladinho. Algo que com certeza ao ler eu iria me lembrar.
Os codigos eram:
picasso no trem (cartaz de exposicao da influencia do picasso na arte americana)
deptra (???????)
dseam 3sub 21and (?????)
Esse ultimo ainda escrevi com numeros com a certeza que seria mais facil assim. Eu sei que eu tenho alzheimer, mas nao consigo matar minhas proprias charadas? caraca. Essa alias tava na linha fina do Onion News Network, que lancou agora. "Ladrao de banco preso se arrepende de ter enviado charadas para a policia"
Chego no hospital, que era longe pra burro (rua 168. eu moro na 13) e pego a fila de identificacao dos visitantes. Me dou conta que estou sem documentos. Nao entrando em panico, ativo o sistema de flashbacks uteis, me lembrando de um dia que um erro da policia federal provocou uma gigantesca fila de velhinhos no centro de SP. Eu era reporter-estagiario do JT e quando cheguei para cobrir nao tinha mais velhinho algum. E a policia nao me deixava entrar. Vi uma garagem e entrei no predio na surdina. Achei um delegado e entrevistei-o brevemente. Enquanto isso li algo que estava na mesa dele, de ponta-cabeca pra mim. Pareceu importante. Estava todo orgulhoso de mim, me sentindo o proprio reporter-investigador-ninja-mais-esperto-que-os-outros, e ainda tinha batido o olho em informacoes secretas. de ponta-cabeca! Meu editor nao apenas nao ficou impressionado como nao ficou impressionado.
Terminado o flashback, ou seja, de volta no hospital, saio discretamente da fila. Vejo algumas pessoas passando pelo guarda e apresentando passes. Finjo que estou no telefone. Quando uma pequena multidao passa pelo guarda eu vou junto. Demorei pra achar a sala de espera pq tive medo de perguntar e alguem pedir a droga da ID.
Encontrei a Carol e sua amiga, e conversamos bastante enquanto esperavamos. Ela contou que o Larry estava muito nervoso antes de ir pro hospital. Que ao passar spray de cabelo no cabelo, (coisa comum aqui nao so entre trumps) acertou o olho e saiu dizendo AHHHH ESTOU CEGO ESTOU CEGO!!!
Enquanto almocavamos eu carol e amiga, contei com sucesso duas piadas de alzheimer. Em troca ouvi uma historia veridica, de uma moca de 68 anos de idade, casada, tendo um caso com um cara casado. De 80!!!! Ouvi algo sobre milagres da medicina moderna e presumo que eles facam sexo. O que invitavelmente me leva a evitar perguntar se eles tb faziam sexo. Ou se meus avos ainda fazem. brrrr.
E tem mais ainda: ele vai largar a mulher.
Mas quer ser livre e aproveitar a vida.
Assim falou para a amante nao largar o marido, mas eles podem continuar se encontrando.
E eu, que tinha esperancas de amadurecer com a idade...
(fade out ao som de kronos quartet tocando philip glass)
@22:45
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tags:new york
Contos de Mera Existencia
(stories that move fast and hurt good)
Como lidar com a depressao?
Como terminar com a namorada?
Procrastinacao.
O melhor livro ja escrito.
31 razoes de porque ela nao liga de volta
Esses e outros temas povoam os desenhos e animacoes de lev yilmaz
"Contos de mera existencia".
Humor acido, meio depressivo mas bah! eh tudo verdade.
Ah se eu soubesse desenhar como esse cara.
Esse eh o site dele, com animacoes e desenhos
http://www.ingredientx.com/
Pra quem gosta de youtube: http://youtube.com/results?search_query=tales+of+mere+existence&search=Search
(em ingles, sorry)
@20:40
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tags:animation,lev
quinta-feira, 29 de março de 2007
Madrugada sobre a neve
Na sexta que cheguei aqui caiu a ultima nevasca da temporada.
duas da manha: resolvi atravessar a quinta avenida por trinta quarteiroes.
(tb conhecido por voltar pra casa a pe)
aquele lugar que esqueci o nome
ruas fechadas
monstros s/a
arthur D2 nas caixas de correio, olhando guarda-chuvas revirados
o coitado deve ter varrido isso sozinho
"hey bruce onde eu colocar isso??"
a medida que descemos a avenida a neve fica mais funda
ja na porta de casa
em breve o brancor virginal da neve fica meio sujo
quarta-feira, 28 de março de 2007
Cantaloupe Lassie
dia estranho. meu socio foi ao medico e nao veio trabalhar. fiquei usando o computador dele, ja que o meu pifou e em algum lugar eh como se eu estivesse usurpando o tal lugar. afe.
Depois fui com chloe para um bar chamado piano, recheado de mulheres lindas mas o que me importa? assinei um termo liberando o uso da minha imagem em comerciais da cassio. Falei pra alguem que eu tive um relogio casio aos 10 anos. Ao menos os drinks eram gratis e a banda era muito boa - alta, rapida energetica. tenho fotos, ainda que nenhum lugar para descarrega-las. Na longa caminhada para casa me dei conta de muitas coisas, comecando por como eu gosto de andar (independente de estar ultra-feliz de meramente poder faze-lo), e passando pelo fato de que sou melancolico por natureza. Quanto mais duramente eu protejo meu coracao mas eu me dou conta que ele eh fragil demais pro meu gosto. Ontem andei pela rua como qualquer pessoa, alheio aos raros sorrisos e me senti na minha infancia, sempre circulando e nunca participando. Quando eu morava no rio, em uma rua fechada, nas poucas vezes que fui pra pracinha comum, fingia que estava pesquisando botanica ou sei la o que, qualquer coisa que me desse um proposito de estar la que nao implicasse em ir falar com as outras criancas. Sempre fui o outsider, algumas vezes por falta de opcao, outras por habito, algumas por timidez (senao todas). meu ouvido ainda faz zuim do show, que segundo o filme ruim que vi recentemente, children of men, um cuaron inferior (ao que, ja que ele nao sai da ladeira abaixo?), o zuim era o som das celulas auditivas morrendo, um verdadeiro canto do cisne e a ultima vez que ouco algum som nessa frequencia. No caminho para casa tocava the cure (novamente o mar verde e profundo) o que nao deixa de ter sua graca, considerando os varios circulos que se abrem, fecham e dao voltas. Chegando em casa liguei para o tequila mas nao tive o privilegio de ouvir uma voz amiga, que as vezes eh o que basta independendo do conteudo. Como eh estranho e familiar estar aqui...
(quem adivinhar o que eh cantaloupe lassie ganha um paragrafo)
@23:25
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tags:escritos,new york
outro bukowski emergido
Oh, yesthere are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.
Ghosts
O mundo da voltas e a memoria eh um biografo senil...
Transferindo emails antigos para o gmail alguns emails anciaos sabe-se la porque emergem na inbox.
Estou embasbacado com cada coisa que eu leio, reflexos de outras vidas, viagens...
Ha horas que acho que vou achar acucar na cumbuca e encontro apenas um caldeirao de virulencia, injustica e ameacas maleficas e fico novamente horrorizado como se pela primeira vez.
Tem coisas que eu nao sei porque nao apago mas depois eu sei. O dito eh indesdizivel.
A espiral tem disso: parece que orbita em circulos mas a cada volta fica mais distante do centro. Um centro ideal, irrecuperavel, irrevogavel. Quem tem dificuldade com o luto nao deveria passear em cemiterio...
ou deveria?
tico e teco, impostores!

Essa eh a primeira de muitas fotos que ainda vou tirar desses magnificos bichos.
Mas confesso que soube de algo que me chocou profundamente: Tico e Teco NAO SAO esquilos.
Veja, esse eh um esquilo (squirrel). Repare na lacaniana cauda peluda.
O TicoeTeco nao tem cauda longa. Fui pesquisar e descobri que eles sao Chipmunks, um bicho que nao tem no brasil. Se tivesse ia chamar esquilo do mato ou sei la, mas nao seria a mesma coisa. Voltando aos esquilos de verdade: o bicho eh ultra rapido, saltita pela grama como um golfinho, e vem pegar amendoim na mao!!!
eu queroooooooooo
terça-feira, 27 de março de 2007
Cosmic Cantina
segunda-feira, 26 de março de 2007
sexta-feira, 23 de março de 2007
aeschylus
Sexta a noite, continuo sem acentos.
Tempo estranho, crono e meterologico. A primavera chegou e aposto que no proximo raio de sol os novaiorquinos ja estarao de roupas de baixo no gramado mais proximo. A neve quase se foi, casacos grandes ja sao excecao e alguns malucos de camiseta, malucas de saias...
Uma semana e nada aconteceu exatamente como eu gostaria.
Meu velhinho esta bem, mas abalado e vai sofrer intervencoes de risco. Posso contar pouco com ele. Fora isso em um mes a mulher dele vai operar algo tambem. Ele me disse I'm not afraid mas me parece obvio que ele esta um pouco apavorado. Eu por outro lado disfarco minha grande apreensao com os comentarios mais encorajadores que consigo fazer. A essas alturas esse homem eh quase um avo para mim, e tambem um grande amigo.
Almocei com paulinha e senhor no zen palate. Meu prato principal era horrivel (tasty malay) , pareceia um enrolado de temaki de frango vegetariano, argh, os acompanhamentos eram divinos, um rolinho de verao (cozido no vapor), arroz vermelho e brocolis, no delicioso molho do negocio horrivel. E foi um almoco agradavel, Sai satisfeito. na volta pra casa, bem em frente ao restaurante mas ali no union square park, fiz amizade com alguns esquilos. que bicho legal esse ticoeteco. Rapidos como um raio, agitados pelo furor primaveril, comem usando as maozinhas e chegam perto de quem olha pra eles por muito tempo. Queria levar um parzinho, pra mao-tse e pro lacan...
@20:29
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Supermercado nova era
Strange days have found us...
Uma amiga me obrigou quarta a ir com ela em uma loja "de coisas espirituais". Um verdadeiro supermercado da nova era. Fiquei abismado. Tinha um cara com dois poodles gigantes, mostrando livros pra eles e perguntando qual eles achavam melhor. Tinha pedras "de poderes misticos" lindas mas superfaturadas. A imbecil da minha amiga (digo isso com todo o carinho) estava procurando um taro egipcio americano. Ela achou o taro egipcio canadense mas disse que nao serve. Na sessao de livros, uma coisa mais impressionante que a outra "o que 9/11 nos ensinou sobre espiritualidade e negocios", "Guia pratico da viagem astral sem bagagem", passando por Groff, fractais (ai ai), musicas cabalisticas para aumentar a inteligencia dos tomates e mil copias em livro e dvd de um tal e estupido " The Secret".
Entao estou olhando um pendulo louco que faz mandalas absurdas e um velhinho papai noel hippie vem falar comigo sobre o xama nao sei o que. Ah, sim, sim, claro. Subi logo para tomar meu "Buddha Chai" gratuito, que nada mais eh que chocolate com tracos residuais de chai. Passei pela secao de produtos tibetanos e me encantei com os gongos e singing bowls. So que a singing bowl que eu gostei, que fazia um som fantastico, custava 150 doletas. Por uma cumbuca e um pilao de caipirinha? Nem que cantasse puccinni. Peguei a carla pelo braco, que discutia com a especialista em taros da loja e disse: vamos embora daqui logo que eu to emburrecendo a cada minuto!! JA!
@12:42
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quinta-feira, 22 de março de 2007
Uma conversa na mesa dos adultos, conforme imaginada na mesa das criancas
- artigo original e genial por Simon Rich na New Yorker
MAE: Passe o vinho por favor, eu quero ficar maluca
PAI: O.K.
AVO: Voces viram a politica? Ela me deixou brava!
PAI: Eu tambem. Quando acabou, eu fiz sexo
TIO: Eu estou fazendo sexo agora mesmo
PAI: Nos todos estamos
MAE: Vamos falar sobre qual filho a gente gosta mais
PAI: (rindo) Voce sabe, mas nao vai falar hein
MAE: Se me perguntarem de novo talvez eu fale
PAI: (rindo) Existem monstros de verdade no mundo, mas quando meus filhos perguntam eu finjo que nao.
MAE: Eu Estou Brava! Estou subitamente brava!
PAI: Estou bravo tambem! Estamos bravos um com o outro!
MAE: Agora esta tudo bem.
PAI: Acabamos de ver o filme proibido pra menores. Era muito bom!
MAE: Tinha um grande sexo
(todos riem)
MAE: Eu bebi muito vinho e agora estou maluca!
AVO: Hey, voces sabem
TODOS: SIM!.
AVO: Nao contem pras criancas.
traducao - yours truly
quarta-feira, 21 de março de 2007
Wii tennis & PS3 angola: The UN meeting at Swankonia
Ao fim de um longo dia de trabalho assisti ao penultimo episodio de heroes. Caray o negocio eh muito bom. No mundo real reaparece Sameer Kapoor, embaixador da India e Sammy K original, que reunido em Swankonia com os embaixadores do Brasil e da Venezuela passou uma longa noite jogando esporte virtuais no wii, usando um controle sem fio para dar raquetadas de verdade. Temo ter abusado um pouco do meu ombro arrebentado mas o importante foi ter ficado em segundo lugar no tenis e quase em segundo no boliche. O dono do console sempre vence, e esses jogos costumam ser mais interessantes no mesmo nivel - dono com dono, ze com ze. Maniaco que eh, Carlos Gomes tambem tem um PS3. Neste jogamos umTekken apenas levemente melhor que o do ps2, mas o engracado eh uma personagem nova, carioquinha funqueira que joga capoeira de angola (o outro brasileiro joga capoeira regional). Ainda assim ela tomou um couro ate do urso panda. urso agressivo alias. Jantamos Rice balls e Guyozas e como de habito andei ate em casa, ou quase. Fiquei horas fritando na cama, pensando na vida e tal, e assim que pego no sono o maldito despertador toca: "... Get a rythm... when you get the blues... get a rythm.."
@11:18
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terça-feira, 20 de março de 2007
kirin ichiban
Passei a noite praticamente em claro e estava morrendo de sono na hora de acordar. Fiz a barba e levei uma mochila de vinte quilos ate o escritorio. Me assustei com meu velhinho de estimacao, cujas maos tremiam. maos tremem quando uma certa sombra do vale parece se acercar. Tem grandes chances que ele fique bem e torco por isso. Ainda assim, risco ha.
Apos a labuta fui a um bar chamado Le Infant Terrible, que serve picanha a tom jobim e mariscos do porto alegre, ao som de manu chao e garcons possivelmente hungaros. Encontramos um brother diretor de arte e botanista e foi bem divertido. Depois ao cinema assistir The Host, um tipo de king-kong subaquatico coreano, tao ruim que era engracado. Nunca vi tanta conveniencia em um so roteiro. Na volta trinta quarteiroes de caminhada ate em casa, cabeca a milhao, decidi nao ser valvula de escape pra ninguem. Ainda bem que ainda sobrou uma kirin ichiban.
(aprendi a fazer acentos no mac mas me recuso a apertar tres teclas pra conseguir um misero caracter acentuado. eh o cumulo do cumulo)
@00:13
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domingo, 18 de março de 2007
duas vezes no mesmo rio
Depois de quase um ano eh um prazer melancolico estar em ny de novo. Nem eu nem a cidade somos os mesmos, ainda que definitivamente sejamos. O rio nao eh o mesmo mas carrega o mesmo nome e fica no mesmo lugar. E o que eh o tal rio? certamente nao eh a agua, que corre e muda. E o que somos nos? certamente nao nossas celulas, que se renovam a cada oito anos.
O que rege nossas escolhas? o que rege cada curva que o rio faz?
A metafora vai ate certo ponto apenas.
A cidade eh um mapa de lembrancas por onde navego... a van que me trouxe deixou um japones no dormitorio onde eu morei quando entrei na NYU. A neve que caia parecia com outras neves que cairam, e andar pela neve me lembrou de outros lugares nevados por onde caminhei e por onde nao mais farei snowboard (melancolia).
Nao me arrependo de ter comprado a moto apesar de ter me arrebentado, e o mesmo vale para varias coisas que trouxeram resultados parecidos. (how many darkest moments and traps still lay ahead of us?).
Engracado como arrependo e arrebento sao quase homofonicas. Nao me arrebento apesar de ter arrepentado? Saco, odeio escrever sem acentos. Caminhando de volta pro apartamento comprei um sushi e cervejas kirin no mercadinho japones. Comi sozinho como quem realiza uma cerimonia do cha e me dei conta de quao poucos amigos me restam, de um modo geral, e em especial por aqui... O que as pessoas fazem depois que todos os amigos se vao, levados pela morte, ou pela vida?
@20:44
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sunday afternoon

ontem apareceram aqui a Sigrun, que foi a primeira pessoa que conheci quando vim morar aqui em 99, e sua irma. Ela continua brilhante e louca. Surprise. Mas estava cansado e desisti de ir com elas pra balada. Fui dormir e sonhei muito a noite inteira. Por que sera que parece que eu so sonho no exterior? Acordei, fui tomar banho de banheira e nao sei como derrubei tres revistas e o papel higienico la dentro, que estao secando sobre o aquecedor. Criei coragem e fui comer ukranian borscht e pirogies, estes minha avo chamava vareniks e fazia com perfeicao. Depois fui assistir the lifes of others, filme alemao muito muito bom e muito triste sobre a alemanha oriental e a stasi, a policia secreta. Serio, se eu nao estava deprimido antes de ver o filme now i am.
@20:26
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sábado, 17 de março de 2007
nao chove mas molha
"Por que esses imbecis estao todos de capuz? Isso eh neve, nao chuva."
Afinal como todos sabem so eu sou esperto.
Ta bom.
Cheguei encharcado...
@15:34
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sexta-feira, 16 de março de 2007
Sleety Sleet
Ei, onde vc vai, perguntam Ana e Tom, minha roomate e seu respectivo.
Ah, sair, dar uma volta.
Com esse tempo? o que voce vai fazer la fora?
Ue, e o que eu vou fazer aqui dentro? digo e saio rindo.
Em t-3 minutos, o tempo de descer os 6 andares de escada, ja me arrependo. O vento fustiga com agua e gelo, a calcada super escorregadia e o restaurante japones que eu ia fechou. O casaco de snowboard me protege mas as pernas tremem. Acabo entrando em um restaurante do tipo Zesty Thai, onde mesmo as coisas sem spice sao ultra-spicy, so porque estava aberto e era em frente. Nao eh a melhor opcao considerando as desventuras avionicas. Tomo um cha verde com paciencia oriental, na verdade sem pressa de sair do quentinho. E antes de sair ainda compro uma garrafinha de suco vermelho (cranberries, framboesas, morango, maca, roma, laranja e banana (?), alem de uvas vermelhas e algas vermelhas). E nao eh que essa sugarless gororoba tem gosto bom?!
(cara onde tem acento em macintosh?)
Slush - uma armadilha. Parece gelo, mas quando vc pisa seu pe afunda em agua congelada
Union Square
2nd ave / 13th st
Zesty Thai
mais uma da varig
Depois de anos fazendo o sacrificio de voar varig, mais uma agora:
Apesar de ter comprado american airlines (outra merda) onde sou um mero mortal e nao um portador de cartao ouro, fui pra salinha vip da varig/star alliance.
Pues que nao me deixaram entrar!?!??
Segue o seguinte dialogo:
- Mas como nao pode? eu tenho cartao OURO!
- mudaram as regras. agora so se voar varig
- isso deve ser porque voces estao falindo
- nao, estamos nos recuperando na verdade
- dizem. E NAO SE DEPENDER DE MIM!!
@16:17
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agruras de viagem
Saio de casa e pego o motorista de taxi mais chato do ponto, senao do mundo inteiro. Trazia em si os dois piores defeitos que um taxista pode ter: nao cala a boca e dirige aos soquinhos. O carro o acompanhava, nao tendo ar-condicionado, e o transito parado na marginal.
Na imensa fila da american airlines, no aeroporto, reconheco um amigo da mais tenra infancia, o Elio, que trabalhando na companhia ao menos me tirou da fila do check-in. E me deu o telefone de outro amigo de infancia que havia sumido ha decadas e que agora mora em miami. Fiquei feliz com isso.
No aviao da american o servico era horroroso e servido por bruxas. Depois da comida passei mal e fui vomitar. Tres vezes. Suando frio. Nunca tinha passado mal em aviao. Ainda bem que consegui por pouco chegar no banheiro, senao ia passar a viagem toda sentado e vestido em vomito. Eca.
Em ny pego uma van, para economizar vinte dolares, e ela leva tres horas pra chegar. Maldita economia...
Enquanto isso do ceu cai agua, ora neve, depois muita neve, a cidade esta fria e suja e molhada mas estou feliz de estar aqui, ou ao menos de ter acabado a viagem propriamente dita...
(Assim que consertar o micro passo a postar fotos.)
@11:05
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quinta-feira, 15 de março de 2007
um objetivo mor
"O homem feliz é aquele que ao despertar se reencontra com prazer e se reconhece como aquele que gosta de ser."
Paul Valéry
quarta-feira, 14 de março de 2007
Instituto Médico Legal
Passei várias horas no IML.
Ao contrário do que o nome sugere, o Instituto Médico Legal não é um braço dos Doutores da Alegria.
Longa espera numa sala cheia de gente estropiada, onde o tédio só era minimizado pelo ocasional desfile de algemados.
Já o exame de corpo delito foi tranquilo, muito legal o médico.
Só não precisava ter dito que meu pé não ia ficar bom e que eu nunca mais posso jogar futebol. (nem correr, nem levantamento de peso olímpico etc).
Isso não foi nada legal.
Ou pelo contrário, legal demais.
@18:50
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sexta-feira, 9 de março de 2007
o que me dói
O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
Fernando Pessoa, 5-9-1933
terça-feira, 6 de março de 2007
Revista Digital Designer - Projeto Templo de Hórus
sábado, 3 de março de 2007
de todos os placebos a homeopatia é o que mais funciona
de todos os placebos a arte é o que mais funciona
de todos os placebos a psicanálise é o que mais funciona
de todos os placebos a sanguessuga é o que mais funciona
de todos os placebos a religião é o que mais funciona
de todos os placebos a cápsula de farinha é o que mais funciona
de todos os placebos a astrologia é o que mais funciona
de todos os placebos a macumba é o que mais funciona
de todos os placebos a filosofia é o que mais funciona
de todos os placebos a música é o que mais funciona
de todos os placebos a certeza é o que mais funciona
@14:44
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sexta-feira, 2 de março de 2007
Juju e Fubá
Era uma vez,
Na cidadezinha de Jatobá
Na pequena vila do Limoeiro
Uma baixinha chamada Juju...
E seu amigo, Fubá
Desde filhote, Juju lhe dava comida
E muito carinho, e assim ele cresceu muito
Mesmo sem ter um dono
A mãe de Juju dizia
“não brinque com esse cachorro”
E o pai dizia:
“Sai pra lá seu babão”
E as outras meninas diziam
“AAAAAAAAAAaaaaaaahhhhh”
Enquanto corriam assustadas,
E Fubá fazia um muxoxo
Todos os dias, Juju voltava da escola
E encontarava Fubá esperando no caminho
Pronto pra pular de trás da cerca
E encher Juju de lambidas
Enquanto as outras meninas diziam
“AAAAAAAAAAaaaaaaahhhhh”
E corriam assustadas.
Até que numa sexta-feira, Fubá não veio.
Juju gritou seu nome até chegar em casa,
Mas nada dele aparecer
Ela sentou na porteira e desatou a chorar
E nem o carinho das suas amigas servia de consolo
Nisso chega Seu Antônio, o vizinho,
Que era mudo mas muito bom de mímica
As meninas davam palpites:
“um caçador de borboleta?”
“dirigindo um caminhão?”
Mas foi Juju quem primeiro gritou:
“A CARROCINHA!!!!”
Juju sai correndo, pelo atalho do quintal
E chega na rua movimentada onde a carrocinha vai passar
Mas a carrocinha não para
E ela fica olhando abobalhada e triste, no meio da rua
Sem perceber o enorme caminhão que se aproximava.
Fubá percebe o perigo e arrebenta a porta da Carrocinha,
Corre como um louco, pega juju pelo cangote
Salvando-a por um verdadeiro triz.
O homem da carrocinha tenta recapturar Fubá,
Mas o pai de juju da-lhe logo um nocaute.
Tudo termina na mesa de jantar, bolo e velinhas,
Fubá sentado no lugar de honra, com uma chuquinha no cabelo
e Juju do seu lado.
FIM
@15:00
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
Death of my little bird
Um grande brother se mudou para uma marmita triplex perto da minha casa. Fui conhecer e é de fato muito show o ape. Fomos então comemorar no meu bar predileto ali das redondezas, o tiro-liro.
Ao passar na frente de uma casa vejo um lindo canarinho no chão parecendo só e perdido. Tento pegá-lo mas ele pula da minha mão. Lembrou minha infância. Tento de novo e ele voa da minha mão...
De trás da árvore, uns dez metros dali, um gato preto salta de repente e abocanha o canarinho!!!
E começa a rodar com ele pra lá e pra cá! Assisto num espasmo de terror a essa cena, beirando às lágrimas, e quando penso em me mexer o brother grita do outro lado da rua "Não interfira! É a natureza!" isso apelou ao meu antigo espírito de documentarista de natureza, quando eu era assistente do lawrence wahba, o mergulhador do fantástico. E não interfiro.
Quase um horroroso e longo minuto depois, o canarinho se solta e voa por um segundo e o gato pega ele de novo. Ele tem chance!!! Mando a não interferencia às favas e corro para libertá-lo, mas o gato foge com o passarinho na boca.
Arrasado descubro que meus amigos do outro lado da rua já tinham visto o gato e o pássaro e era tragédia anunciada. Só eu quase caí pra trás, horrorizado.
meu canarinho... voou da minha mão para a boca de um gato.
Se eu não tivesse, com todo meu afeto, tentado pegar o pobre, teria seu fim sido o mesmo?
Talvez ele estivesse doente... Se estava, coitado do gato!
ai ai
@20:10
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UNDESTRUCTABLE!
How many
darkest moments and traps still lay ahead of us?
How many
final frontiers we´re gonna mount and maybe no victory laps?
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do gogol bordello. quem mais?
meu roomie não aguenta mais ouvir gogol, coitado. Exceto talvez essa música, já que cada vez que toca levanto os braços e olho para cima "com cara de judeuzinho feliz" e berro UNDESTRUCTABLEEEEEE!
Sabe que no fim acho que ele se diverte...
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
sei lá como chama essa porra
Tentei fazer uma nova espiral que parece súbito voltaram à moda. Atravessei registros mnemocionais em busca do sentimento transformado em arte e só encontrei biografias ultajantemente senis. Desisti de outras espirais e novamente ingênuo desfiz nós em desertos proscritos, busquei literatura em busca de literatura e só encontrei pungente desgosto e um vago cheiro de chá . Peguei minha hóstia de cicuta na saída resolvido a não ver nem ver nem voltar.
@16:15
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Roumania - Tu Jesty Fata
Tu esti fata care n-are, n-are n-are suflet, n-are, care n-are suflet, n-are
Haide fata tu afara, sa te vada toti tziganii, haide fata tu afara
Haide Doamne, ce-ai cu Firea
Nu-ti gasesc ce e cu mine
Hai ioi
Doamne, ce-ai cu Firea
Tu esti fata, fata buna, care cu min' nu se joaca, care cu min' nu se joaca
Haide fata tu afara, sa te vada toti tziganii, haide fata tu afara
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Solitaire Gallery
Distance and Darkness
Achei esse link perdido por aqui - uma pequena contribuição a um projeto de net art e narrativa, circa 99
domingo, 25 de fevereiro de 2007
A hora da UTI
Depois de ser carregada por formiguinhas, a ambulância chega ao hospital após quase capotar em uma ladeira (a entrada do formigueiro talvez?). A equipe de emergência vem me dar oi e minha maca acelera pelos corredores do hospital rumo ao primeiro atendimento. Olho para a enfermeira que empurrava velozmente a maca e digo: “se eu soubesse que as enfermeiras eram tão bonitas aqui tinha batido a moto muito antes!!”
A moto, digo, a maca entra na emergência. Uma médica pede permissão para rasgar minhas roupas ou se eu consigo tirar elas sozinho. Pergunto se ela não prefere esperar até eu sair do hospital. Ela diz “tenho pena de rasgar uma camisa tão bonita”. E era mesmo, presente do meu cunhado larry e predileta, mas já estava rasgada e com sangue e eu mando cortar mesmo. Também cortam meu sapato e a calça. Feliz de ter saído de casa com uma linda cueca francesa com um tigre, olho surpreso para os presentes, que riem, e digo “hello? Hello!? Paciente com dor!!! Me dêem morfina ou um tiro na nuca!!”
Um médico chega com uma injeção de, sei lá, Fentanyl, e diz que eu vou me divertir com isso. Não sei o conceito dele de diversão mas o negócio me deu um enjôo horroroso, nenhum barato e nem diminuiu a dor. Ou seja, igual antes plus enjôo. O médico olha pra minha cara e imagina que na famosa tabela de zero a dez eu deveria estar em nove. Aí ele resolve me da uma injeção contra enjôo, que me permite concentrar na dor de novo, e uma de morfina, que ao contrário da lenda não tira a dor nem dá barato. Digo pra ele: adoro o senso de humor dos médicos, mas você pode me dar algo além de soro fisiológico? Ta perdendo a graça isso e além do mais sou naturalmente resistente a placebos.
Chega o Dr Túlio, que olha meu pé e diz que precisa operar já, que enquanto não colocar no lugar não vai parar de doer mesmo. E diz que tem uma verdadeira buceta na minha coxa, também conhecida como um corte estrelado. Pergunta se meu joelho dói e eu digo que claro que não dói, meu joelho estava ótimo e pra ele consertar logo meu pé.
Meu primo médico tinha acabado de chegar e resolve contribuir com seu conhecimento específico, urologista que é, e passa a insistir que eu preciso fazer um exame do toque antes de ir pra cirurgia, e ri e me mostra o dedo. Por alguma razão que me escapa o senso de humor dos outros é muito menos engraçado que o meu.
@16:55
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A hora do resgate
Depois de eternidades em que mundos foram criados e destruídos, vinte minutos após a hora zero, chega o motoqueiro do resgate, a ponta de lança do nosso sobrecarregado serviço de salvamentos. A primeira coisa que ele faz é perguntar quem tirou meu capacete e me dar uma puta bronca ao descobrir que fui eu mesmo. Aí de vingança ele toma meus óculos escuros e se recusa a devolver apesar do sol escaldante. Antes de me colocar na maca ele pergunta: está sentindo algo na coxa? Eu digo: só no pé. Quando ele põe meu pé na maca meus dedos se cravam no asfalto, onde a marca deve estar até hoje. Aí pensando que eu não estava desconfortável o suficiente, ou com medo que eu socaria a cara dele se ele se aproximasse o suficiente, ele me coloca aquela proteção de coluna no pescoço, adicionando claustrofobia ao meu rol de provações.
Passam-se séculos, eternidades, e a dor só aumenta. Meu braço está sobre os olhos devido à claridade. Quando tiro o braço por um momento vejo meu amigo Fabrício olhando pra mim. Fico emocionado. Terá sido coincidência, ele passava pelo local na hora x? Não, ele estava no meu trabalho quando a imbecil ligou lá, e veio correndo junto com Flavia e Chantal. Obviamente me senti muito melhor de ver rostos conhecidos, fiquei emocionado mesmo. Mais uns vinte minutos e chega a ambulância, que estaciona metade na calçada. Quando colocam minha maca na ambulância, que está inclinada uns 25 graus, eu fico com uma sensação constante que vou cair da maca apesar de estar amarrado nela.
E nada da ambulância seguir seu caminho!
Primeiro o guarda queria me multar por não estar portando a habilitação. E multou. Só faltou cuspir na multa e grudar ela na minha testa. Depois a ambulância não sabia pra onde ir. Alguém se surpreende que eu não tivesse a carteirinha do seguro? Achava que era só pra fazer exames. Eu insisto: me leva pro Einstein!! Eles dizem: pro Einstein a gente não leva. E propõem que me levem para o pronto-socorro comunitário da vila xurupita, nhocunhé ou pra um curandeiro espírita. Depois de muita discussão, consegui que uma médica no sírio-libanês autorizasse a ambulância a ir pra lá.
E mais de cinqüenta minutos depois da hora zero a ambulância sai com sua carga. Ao perceber certa ausência de movimento e barulho, pergunto, pelo amor de deus eu to sofrendo muito aqui, vocês não podem ligar a sirene e chegarmos logo? O Paramédico, que não tem autorização pra administrar uma aspirina sequer, diz que só ligam a sirene em caso extremo de risco de vida ou jogo do coríntians. Eu olho pra Flávia, que me acompanhava docemente na ambulância, pro paramédico e digo com a voz tremida: “Está ficando tudo escuro... luzes se apagando... ohhh... sirene?” E acreditem o filhadamãe dá risada mas não liga a sirene.
@16:25
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Interlúdio Revisited
Nunca escreverei poesia nem vou ler
Em papel tela ou entrelinhas
A ferrugem vai dizer
Se molhei minha alma com lágrimas
Não foi por falta de aviso
Não devia nunca nunca sentir
Nem escrever
@16:04
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
White Nights and Fastidious Horses
Quando eu era criança e "O sol da meia noite" era o filme do ano, lembro que fiquei muito impressionado com uma cena que o barishnikov põe uma fita cassete no estéreo e começa a dançar em um enorme teatro vazio. A música era algo visceral, em russo, e fiquei com uma forte impressão. Depois de velho, com o advento da internet, descobri a música, a letra e o Vladimir Vysostski uma espécie de Leonard Cohen russo.
(link para o mp3)
KONI PRIVEREDLIVYE
Vdol' obryva, po-nad propast'yu, po samomu krayu
Ya konei svoih nagaikoyu stegayu, - pogonyayu, -
Chto-to vozduhu mne malo, veter p'yu, tuman glotayu,
Chuyu, s gibel'nym vostorgom - propadayu, propadayu!
Chut' pomedlennee, koni, chut' pomedlennee!
Vy tuguyu ne slushaite plet'!
No chto-to koni mne popalis' priveredlivye,
I dozhit' ne uspel, mne dopet' ne uspet'!
Ya konei napoyu,
Ya kuplet dopoyu,-
Hot' nemnogo eshe postoyu na krayu!...
Sginu ya, menya pushinkoi uragan smetet s ladoni,
I v sanyah menya galopom povlekut po snegu utrom.
Vy na shag netoroplivyi pereidite, moi koni!
Hot' nemnogo, no prodlite put' k poslednemu priyutu!
Chut' pomedlennee, koni, chut' pomedlennee!
Ne ukazchiki vam knut i plet'.
No chto-to koni mne popalis' priveredlivye,
I dozhit' ya ne smog, mne dopet' ne uspet'.
Ya konei napoyu,
Ya kuplet dopoyu,-
Hot' nemnogo eshe postoyu na krayu!...
My uspeli - v gosti k bogu ne byvaet opozdanii.
Tak chto zh tam angely poyut takimi zlymi golosami?
Ili eto kolokol'chik ves' zashelsya ot rydanii,
Ili ya krichu konyam, chtob ne nesli tak bystro sani?
Chut' pomedlennee koni, chut' pomedlennee!
Umolyayu vas vskach' ne letet'!
No chto-to koni mne dostalis' priveredlivye,
Kol' dozhit' ne uspel, tak hotya by dopet'!
Ya konei napoyu,
Ya kuplet dopoyu,-
Hot' mgnoven'e eshe postoyu na krayu!...
CAVALOS OBSTINADOS
Na beira de um penhasco áspero, sobre o abismo infinito
Eu chicoteio meus cavalos, seguro o chicote como um espasmo
Mas o ar torna-se mais fino, eu engulo o vento, me afogo, choro
E percebo com êstase mortal, estou morrendo, estou morrendo!
Coro:
Diminuam seu galope, oh meus cavalos, diminuam só um pouco!
Não escutem o chicote!
Mas os cavalos que a mim couberam são obstinados e intolerantes
Não terminei de viver, não posso terminar a canção
Cavalos, eu os deixarei beber àgua, enquanto completo esse refrão
Apenas por mais um momento eu estarei na beira
Vou perecer, como uma pena que o furacão engoliu
Em uma carruagem me puxarão através da neve em galope cego
Eu peço a vocês meus cavalos, diminuam seu ritmo um momento
Eu peço, por favor, prolonguem meus últimos segundos
Coro:
Diminuam seu galope, oh meus cavalos, diminuam só um pouco!
Não escutem o chicote!
Mas os cavalos que a mim couberam são obstinados e intolerantes
Não terminei de viver, não posso terminar a canção
Está acabado, hóspedes do eterno não podem atrasar-se,
Então porque os anjos cantam com terríveis reprimendas em sua voz,
Ou o sino levado pelo cavalo enlouqueceu e está soluçando
Ou sou eu que estou gritando para meus cavalos diminuírem sua marcha?
Diminuam seu galope, oh meus cavalos, diminuam um pouco!
Não escutem o chicote!
Mas os cavalos que me deram são obstinados e intolerantes
Não pude terminar de viver, ao menos deixem me terminar esta canção
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
A hora do acidente
Sigo pela avenida vazia, na faixa da direita, e quando estou a poucos metros da rua portugal um imbecil na faixa central resolve virar subitamente nessa mesma rua Portugal à direita, bloqueando toda a minha via.
A em velocidade de cruzeiro, a Sportster precisa de alguns poucos metros para brecar. Mais metros do que eu tinha a disposição, estes ainda atravessei derrapando. Durante um tempo quase eterno diversos pensamentos me atravessaram, por extenso, como “Caralho dessa vez eu me fudi!” e “olha só, meu primeiro acidente de moto”.
Uma porta azul se aproxima, pneus escorregam e cantam como numa ópera, interrompida por um barulho horroroso que sou eu e a moto batendo contra o carro; soube na hora que algo de muito errado tinha acontecido com meu pé. Então um vôo sabe-se lá por onde dura um tempo indeterminado e acaba, longe do local do acidente, com um magnífico estabaco contra o asfalto.
Dói na hora. Quem diz não dói deve ter ficado inconsciente. Dói pra burro e piora a cada momento. Peço pra alguém pelo amor de deus chamar o socorro. Me sinto sufocado pelo capacete. Tiro o óculos escuros, o capacete, ponho os óculos de novo, fotófobo que sou e tento me mexer. Uma multidão me adverte pra ficar parado.
Peço para uma mulher ali na rodinha para ligar para o meu escritório e contar o que aconteceu. A imbecil liga lá e diz a seguinte frase “olha to ligando para avisar que o motoqueiro da empresa sofreu um acidente” e desliga o telefone. Parece que eu tenho que fazer tudo eu mesmo.
Alguém põe minha moto de pé e diz que ela parece quase ok, me confortando. E tenta me entregar o pedal da marcha, que educadamente recuso. Claro que a moto parecia ok. Aparentemente eu protegi ela com algo macio, o meu corpo.
Começo a verificar o estrago: sangue nos braços e nas mãos . Mexo o dedinho da mão, que dói pouco, e concluo que não deve estar quebrado, mas estava quebrado em dois lugares. Minha coxa está molhada mas também não sinto dor ali. Acho que todos os canais de dor estavam ocupados com meu tornozelo. Reparo que além de um motoboy tirando foto de mim com o celular, uma verdadeira multidão olha horrorizada pro meu pé.
Resolvo olhar também e vejo que ele, o pé, estava em uma posição absolutamente antinatural, de lado, com uma fratura que parecia exposta mas era apenas quase. Quando eu conectei a dor com a visão do estrago começou a doer bem mais, ignorance is bliss. Eu peço de novo pra chamarem o resgate, alguém diz que já chamou. Catzo, chamasse outro! Tive vontade de levantar e dar porrada. E de chorar. Mas não fiz uma coisa nem outra e pelos próximos vinte minutos nem sinal de resgate. Sem dúvida os minutos mais longos da minha vida.
@16:56
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terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Slow
It was a big panel of
glass
Not plexi but silicate
Moving with the grace
of a ballerina through moondust
The wall was the soul of all verticals
pinkfloydian wall, berlin's cousin
and it was solid and painted
only moving along with the earth
and the solar system and the universe
but nothing less
Regardless, their encounter was unavoidable
The glass was there
and slowly advancing
The wall was there
(and doesnt "wallwasthere" sound musical?)
and it wouldn't move
hence, when the encounter finally happened,
and I say finally, because the glass
was taking it's sweet time,
and would loose a race to a snail in coma.
the contact was brief.
no one knows if it was
structural vibrations
or a rupture in the vitreous molecular pattern.
But the shards fell
in pretty normal gravity speed
(written originally on Word´s World)
@12:10
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Never Young - Gogol Bordello
Gogol Bordello é o que tenho ouvido obsessivamente há meses...
Never Young
By the desperate 'n' confused
Emotion of the youth
I was brought to Crisis Island
Where after getting checked for fleas
And barricades of embassies
I was sculpted to be overworked and silent
But since the early age
I broke out of the cage
And learned how to make marching drums
From a fish can
And I knew I'd run away
And so without further delay
I said "Two tears in a bucket Motherfuck it!"
And it seems like I ran and ran
Through the garbage and quicksand
And after getting checked for fleas
and barricades of embassies
I would never never never never
wanna be young again!...
But sudden wind it stole my hat
And I went on chasing it
Before I was just another burned out carnie
Every freak on every day
Lives a life one certain way
And that way is ain't no nothin' but a birthright~
But since the early age
I broke out of the cage...
And it seems like I ran and ran
through the garbage and quicksand
and after getting checked for fleas
and barricades of embassies
I would never never never never
wanna be young again...
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Grandes são os desertos
Tua voz era o descanso para os ventos do deserto
Falso perdão às tardes de tempestade
Tardes belas e abençoadas eram como a mais violenta das repulsas
Eram promessas do seu esquecimento
Tua ausência transformou ruínas em ruínas de ruínas
Deserto incontestável de esperanças ou amanheceres
Presença inexprimível da solidão que tua ausência
Transforma e acompanha as doces noites de lua
Havia, sim, as lembranças de cem mil tardes
Inconfessáveis, cálices de brumas cálidas,
A enfeitiçar nosso soluço triste
Mas hoje fujo de luares, de lembranças, de mim
Pois não há mais esperanças vencidas, ou dias de sol,
Ou a vencer.
poema já decano de autoria do Execrááááááável, que vejam só, não é completamente imprestável.









