terça-feira, 4 de março de 2008

... e como quem esmigalha protozoários...

Augusto dos Anjos, mais atual que nunca:


Idealização da humanidade futura


Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
— Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara étnicamente irracionais! —


Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!


Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...


E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

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