segunda-feira, 31 de julho de 2006

Você mesmo!!!

Estamos preparando alguns personagens pra fazer uma série matadora.
Na demo de animação já tem uma melancia-sumô-debilóide.
Essa é uma maçã que ia quebrar sua cara.

No primeiro micro-curta ela vai enfrentar seu arqui-inimigo, a maçã verde.
Estamos atrás de um nome pra batizá-la,
Alguma sugestão?????




(clique pra ampliar)

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Laerte

quinta-feira, 27 de julho de 2006

"Vou chamar a segurança"

E lá vou eu para uma reunião na Publicis, ali na Rua Funchal.
Na saída tem um espelho dágua, e começo a pensar em algumas idéias de foto...
Gosto de brincar com reflexos, já que vampiro não tem nenhum.
Estou de costas pro prédio, procurando um enquadramento bacana.
Nisso vem um figura engravatado e me diz:

-Não pode tirar foto do prédio.
-Como assim?
-Questão de segurança, é proibido tirar foto do prédio
-Mas eu estou tirando foto da água!
-É proibido. Se o senhor continuar vou chamar a segurança.

Normalmente eu diria "pois chame a segurança!!" e queria ver eles tirarem meu celular: iam arrancar de mim à força? na porrada? a lei estaria do meu lado, gosto de pensar, apesar de não ter certeza. E como eles iam saber se eu tirei fotos? Assim, quando o cara veio me encher eu só tava olhando pelo visor. Também não pode olhar pelo visor? E se tivesse tirado, eles iam abrir meu telefone e apagar elas? Confiscar o bicho? Tem dia que se rolar confusão pode ser até terapêutico. Mas como é o prédio de um prospect, qualquer encrenca ou vexame podia refletindo bem mal pra mim. Então saí andando.
Andando e tirando foto no caminho.
Podem não ter ficado nenhuma maravilha, mas ah, questão de princípios.


Ainda mais Cannes

Ainda não deu tempo de colocar todas as fotos da França, então aqui vai mais uma pequena série. Não acreditem nas aparências: eu juro que trocava de camiseta todo dia.

Essa aqui é no Hotel Carlton, assistindo um jogo do Brasil.
Como vocês podem reparar o Sérgio Magalhães está dando a luz aí do lado.



Na Croisette, primeiro dia.



Na Croisette ainda, com Paulo.
Sem a menor idéia do que nos esperava nos próximos sete dias...



Na Frente do nosso Lounge, com Larry.
Atrás, o lounge dos argentinos da g7.
Esses miseráveis tentaram nos enlouquecer com seu SantaUlalá no repeat.
Tive pesadelos com aquelas músicas por dias.



Jantando no Hotel Carlton com Paulo, Larry e Carol.
Quase uma família feliz.
Tirando que ninguém aqui é parente. E feliz só porque ao menos a primeira parte do dia acabou...

terça-feira, 25 de julho de 2006

Otto Lara Resende, vivo.

Sim, vivo, fungando e farejando. Conheçam Otto Lara Resende, o buldogue da Mariana, neta do Otto original. Como não nega a raça, deve ter problemas de gases... O Otto, claro. Também é deveras significativo que ela vive atrás dele com um papel, não para anotar latidos que seriam vendidos em uma loja de frases, mas fim menos nobres, ainda que necessários na vida de um buldogue.

Em homenagem aqui vai um link pra algumas das frases do grande Otto, para o abanar de rabo do pequeno Otto: http://www.releituras.com/olresende_frases.asp

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Beauty Bar

É um bar!!! Juro.
Foi da última temporada em NY ainda, mas recebi as fotos hoje.
Eu e as minhas queridas Marianas...


A thousand Monkeys in a thousand Years

As palavras escorrem dos dedos como mel. A mão fica grudenta e pegajosa e contamina tudo o que toca. Insetos voam e tentam ler por cima do ombro das pessoas, de carona. A mão se arrasta pelas paredes e as moscas curiosas pousadas nelas formam letras, sentenças, parágrafos, cartazes...

Sim, vc ligou para o macaco datilógrafo.
Nosso estoque de Shakespeare acabou, mas Mallarmé tem desconto.

Aqui tem de tudo.
Tem macaco cacófito, macaco cacólatra, macaco co
Macaco cabungo banana matata repita
Asdrugp toucides deiforme

E implodem ondas de papel carta não usado, gerando uma confusão de muito artifício nos fogos, que saíram de suas sextas já dizendo que ali ninguém é pokemon.



SPFW

O São Paulo Fashion Week é Bizarro. Fui assistir ao desfile da Zoomp. Por onde começar? A fauna de frequentadores é de outro planeta. Estilistas, fashionistas, modeletes... Metade do povo acha que está na passarela. A outra metade é jornalista ou trabalha com a promoção de alguma coisa, todo mundo quer pegar carona e ser o carro da moda, a agência da moda, o manobrista da moda, o jornal da moda. Até os mendigos da entrada são os mendigos da moda, me pergunto se sofreram um make-over de estilista ou se foram apenas atropelados achando que a rua era uma passarela. E falando em passarela, como você pode ver na foto, ela é habitada por seres absolutamente fantasmagóricos, que andam de jeitos estranhos e usam roupas, me perdoem, absolutamente ridículas. Só falta alguém colocar uma cueca por cima do jeans pra eu achar que isso é de fato uma homenagem às "festas do ridículo" que a gente fazia nos anos 80. Dois exemplos: um cara de terninho, só que com apenas uma manga vestida, e uma faixa estilo kimono amarrando o terno, já que com um ombro só ele não ia ficar no lugar. Outro com uma camiseta que é só a parte de cima de um macacão de mecânico. E na passarela, os fantasmas (ou seriam os aliens de "Cocoon"?) andando de forma sincopada, com expressões tão semi-neutras que são assustadoras, ao som de um bate-estaca até que ok. As pessoas parecem transparentes, talvez por estarem sob holofotes e serem cheias de vazio. Eu não dormiria com elas de jeito nenhum. A não ser que me fizessem uma oferta tentadora, ou mesmo uma oferta. Mas todos sabem que essas mulheres são intangíveis. A Constanza Pascolato, aí na primeira fila disfarçada de Catherine Deneuve, está pensando: se eu passar a mão nela, será que atravessa? Atravessa.

Três Marias...

Enquanto Dona Maria sorri pra me extorquir,
E a Maria da Grécia acha que eu falo grego e não aprova meu orçamento,
Pequena Maria me presenteia com sorrisos e segredos...

Mais uma segunda

Tem dia que é foda. Pra começar, eu realmente detesto segundas-feiras. O pessoal aqui do escritório já se divide em dois grupos: os que tomam cuidado especial com tudo que me falam em dias como hoje, e os que não tem noção do perigo. Segundas são o dia favorito da minha faxineira me extorquir. “Me adianta um mês, vai, por favor??”. Pelas minhas contas ela já me deve um ano. Digo que não vou dar e ela faz cara de choro, e me chama de “filhinho”. Me irrita profundamente, que intimidade é essa? Depois no ônibus as pessoas parecem que engoliram uma vitrola. Ônibus não é lugar de bater papo nem de falar ao celular. Se alguém quiser falar comigo no ônibus me manda uma mensagem de texto. E eu respondo quando descer, que ficar olhando pra telinha me deixa enjoado. Ler também.Aí a mina da grécia me liga pra perguntar se o filme, que foi com 100% 3D em negrito no orçamento, vai ser tudo em 3d ou partes filmadas. Parece que eu to falando grego. Que parte de 100% 3d não é compreensível? . Pra piorar, comprei um liquidificador novo e um ferro de passar. Legal né? Tirando que eu já tinha um liquidificador e tinha esquecido... E dona maria, que além de queimar minhas roupas devora tudo ao seu alcance, incluindo meus chocolates lindt e whisky black label, vai fazer vitamina para todos os 350 membros da família sob o seu teto. E ainda tem a pachorra de dizer que nunca queimou roupa! Fala isso pras minhas camisas que estão todas brilhantes, que eu tenho vergonha de usar porque parece michael jackson.

E a segunda mal começou.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Haiku de bêbado não tem dono

Wednesday, February 28, 2001

Time has been so short
and procrastination rules
I will change that. later

posted by Renato Kaufmann 15:13

Thursday, February 22, 2001

Say there is a void
and in this precise moment
void is no more


posted by Renato Kaufmann 23:47

no ideas come
the blank paper can also
be a glowing screen

posted by Renato Kaufmann 23:42

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Cada um tem o inbox que merece

Pelo número de mensagens não lidas, imaginamos que a caixa postal cor de rosa do tequila não está sendo muito usada. Ainda assim, excepcional flagra enviado pelo Clark Kiko:






quarta-feira, 19 de julho de 2006

Auuuuuuuuuuuu

Minutos antes de sua morte, com a alma esburacada, o velho cão de Ulisses revê pela última vez seu velho dono. Mesmo agonizando e abandonado, ele é o único que reconhece Ulisses em seu disfarce de mendigo...



terça-feira, 18 de julho de 2006

Dunguinho e Quito

Tb conhecidos por Mao-Tse-Tung e Lacan, derrubadores oficiais de todo e qualquer objeto ao alcance. Lacan identificou mais um alvo, enquanto mao já partiu pro ataque.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Você fez mestrado do quê mesmo?

Cansado de responder essa pergunta.

Eu fiz um mestrado em comunicação, baseado em tecnologia, em uma escola de arte. Ou um mestrado em interatividade, baseado em colaboração multi-disciplinar, focado em usos criativos de tecnologia . Ou...

O mestrado se chama ITP - Interactive Telecommunications Program
Fica na Tisch School of the Arts, da New York University.

Tem uma série de matérias obrigatórias e várias optativas.
Cada um pode, dentro de certos limites, orientar seu programa, dentre matérias teóricas e práticas.
Eu fiz Essas aqui.

Em resumo, me especializei em narrativa, media theory, arte generativa e animação. Além disso, tive um pé (à força) em Physical Computing, que é interagir com computadores sem o trio teclado, monitor e mouse, e que resultou no sofrido parto de Lot's Wife.

O fim do túnel não existe...

Oito kilômetros de túnel, vinho francês e a doce fumaça ébria.
Para complementar, Tequila na direção.
Em termos de emoção e cenografia, nenhum filme de ficção científica chega sequer aos pés.








































E o túnel não acaba nunca...
E quando acaba, ali entre a mata atlântica e o mangue, parece que vc saiu da máquina do tempo.

Temos então o seguinte diálogo:
- (RK) Nossa quanto verde.
- (teq) É mesmo. E o pessoal ainda fala em "desmatamento". Tsk, esses ecologistas só falam merda mesmo.

Contradicionalista, 1998

Meus dias são tomados de copos vazios
O poema é interrompido por necessidade de contato
Mas não diz nada
Mesmo barulho
Mesmo ruído

E pensar não paraíso
Ainda que seja
Antes que a tarde caia
Antes que meu amor por você seja tomado de verdade

domingo, 16 de julho de 2006

Três poemas

Laura

Since dawn she has been with me, Laura, alone in a private sphere.

Solitude I name this closed system where all things are alive. At this first
hour I bank neither with my days nor with my nights, but under a quite
separate account, all that is about me shares my being there. The walls of
my room are a circumscription created by my will. The light of the lamp is a
sort of consciousness. The unscribbled sheet before me is clear and populous
as a sleeplessness. I brood over my illuminated hands as though they were
the pieces of some game of innumerable gambits. The whole complex of every
instant is present to my senses.

For Laura to appear, all things must be exactly thus, all must ensure my
being ideally alone. Laura demands, as she also inhabits, a silence
bristling with expectations, in which at times I become what I am awaiting.
She catches the whispering between my daemon and my desire. Her white face
is indistinct enough, but not her gaze. What a precision of power!...
Wherever my eyes settle, they carry hers with them. And if I close my lids
at last, her own are widely raised and asking. The power to question of
these eyes transfixes me, and sometimes it happens that I cannot bear their
unwavering depth any longer.

Then it is that the too enchanting fragrance of the dress that Laura wore,
of the hands and of the hair of the real Laura, the Laura who was flesh, is
born again from nothing; it dumbfounds my thinking, mingled or thickened
with the bitter perfume of the dead leaves one burns at autumn's end, and I
fall heartlong into a magic sadness.
(Paul Valery)



somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things that enclose me.
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing
nobody, not even the rain, has such small hands
(Edward Eastlin Cummings)


I am the escaped one,
After I was born
They locked me up inside me
But I left.
My soul seeks me,
Through hills and valley,
I hope my soul
Never finds me.
(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 14 de julho de 2006

João, 2003

João saiu correu andou, de repente estava lá. Horas passadas, era longe pra burro e como uma mulher vai morar assim tão tão longe, nem ônibus tinha, mas João, ah João, João iria até o fim do mundo, e não ia mais apenas por ser o fim. E João chegou cedo.

A casa estava lotada de vazio, assim como quando as ausências se fazem sentir tão presentes. O único ser vivo da casa, um gato, planava lentamente pelo assoalho, e a samambaia, que até uma hora atrás era o outro ser vivo da casa, revelou-se vingativamente indigesta.

O vento, em todo lado como sempre está, passou por joão, pela casa, pelo gato e nem ligou. Vento não liga. O vento é dono do sol, que nasce pra todos mas é mais dele.

A mulher não estava onde deveria estar, e não que ela devesse estar em algum lugar ora essa, mas João sabia que ela estaria lá. E não estava, prova de que saber não basta. E em última instância nada basta, nem escrever, mas chega de vazios desse tipo, porque o único lacaniano da história é o gato, e gato não fala. Apenas – veja que irônico – mia laconicamente.

E sem nunca ter deixado de estar na presença do vento, e sem que o vento soubesse (vento não sabe) João sentiu-se muito só ao chegar naquela casa e encontrar apenas um gato estranho arrotando samambaia. João se deu conta de que o vento que o acompanhava chegaria nela também, se é que lá já não estava, e por dois segundos pensou em mandar uma mensagem pelo vento, como um neruda, mas logo desistiu. Vento não manda mensagem e se mandasse sabe-se lá o que chegaria. Todo mundo sabe que o vento distorce as palavras.

E só na casa, João tinha sono. O gato tinha ido sabe-se lá onde, mas tem dedo da samambaia na história. E quanto mais chegava o sono João percebia os lençóis brancos empoeirados sobre os móveis, as trilhas de pé de gato no pó do chão, e como esse tapetinho aqui parecia confortável e acolhedor... sono sono sono sono....

Quando na volta o gato viu o sujeito no seu tapete preferido não teve dúvidas e miou. Mas lacônico que era, não soltou sequer um miau, foi quase um mi, e o sujeito nem se mexeu. Ou ainda, mexeu, porque parecia estar tendo pesadelos terríveis, mas acordar que é bom nada.

E João teve esse sonho, em que era quem era, estava onde estava e procurava quem não podia ser encontrada, e pegava no sono em um tapete feio e tinha pesadelos, mas nesse tinha um gato olhando pra ele com cara de quem vai fazer maldade, ou que ia dizer alguma coisa, mas o gato abriu a boca só por um segundo e disse mi. Como assim mi, desesperou o joão do sonho, querendo entender o sentido oculto por trás de tão curto miado e levantou e correu atrás do bichano.

João do sonho tropeçou e no susto decorrente acabou acordando para a mesma cena que o sonho, e de quebra amaldiçoou todos os sábios chineses e as borboletas, incluindo os japoneses, que são descendentes distantes dos chineses, as lagartas, que são antecessoras das borboletas, e obviamente os furacões em continentes distantes, que como todos sabem são causados por alguma maldade intrínseca das borboletas.

O gato com cara de quem comeu e não gostou (pra samabaia ninguém nunca pergunta nada) e João pensou em amaldiçoar também os gatos, os egípcios e os ingleses, mas pensou melhor, já que maldição gera karma ruim.

Já era noite, apagada de estrelas como a casa de luzes, e João achou a saída com extrema dificuldade, auxiliado talvez pelo barulho do vento, que já estava na hora de fazer algo útil além de distorcer palavras e polinizar abelhas e torcer juncos e arrancar carvalhos.

Do lado de fora, a luz amarelada dos postes emanava um quê de Van Gogh, e a poeira da casa, bem instalada entre pálpebras, dava uma coceira cega.

João mexeu nos bolsos, e sentiu algo que parecia uma samambaia depois de ser processada por um estômago. Começou a suar frio.

João saiu correu andou. De repente estava lá.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Montmartre

Um bairro lindo, no alto do morro, completamente invadido por turistas disneylandia, que ficam perguntando onde foi a cena tal de Amelie Poulain. Mas depois de abrir caminho por hordas de turistas, infelizmente não a golpes de machete, chegamos no alto, onde tem uma vista maravilhosa da cidade e essa igreja, a sacrecré, cujas cúpulas parecem algo que não me lembro, e os cavalos escorrem deixando manchas de cobre.

Insônia Tranquila

Tem dias que eu fico tão acelerado de idéias que não consigo pregar o olho. Como hoje – seis da manhã e não conseguia parar de pensar, mil idéias. Deitei lá pela uma ou duas. Ao menos era uma insônia tranquila, exceto por saber que teria que acordar em poucas horas, o que em geral é causa de grande angústia. Mas definitivamente agradável, prazerosa até. Algumas das várias idéias eu esqueci, outras não sobreviveram ao padrão de qualidade da luz da manhã. E umas poucas talvez me sirvam pra algo ainda.

Pelas cinco da manhã eu já estava próximo de sonhos lúcidos – via imagens, me movimentava em espaços como um sonho, mas ainda acordado. Aquele leve estado delusional. Interessantíssimo seguir associações de idéias assim, e perceber as sensações sonhadoras, e imagens e pensamentos passando como nuvens. Acquainted with the night, meu livro de autores insones. Se não pode vencê-la, ao menos aproveite o passeio.

Para Proteger os Cidadãos da Necrópole

Da janela do ônibus, em frente a um ipê, vejo arame farpado no muro do cemitério. Que coisa. Para proteger quem de quem, mortos ou vivos? Afinal, qualquer vivo pula um muro com arame farpado. Já os mortos tem grande dificuldades com muros, devido ao rigor mortis, decomposição e restos de tecido ficam presos no tal arame farpado. Por isso que em clip de michael jackson eles saem pela porta e andam em coreagrafia, puro rigor mortis.
Preciso confessar que quando mais jovem já invadi cemitérios, mesmo de noite. E já fumei charuto de macumba. E já saí correndo do cemitério, em puro pânico, rasgando (ainda mais) a calça. O muro na ida é fácil. Difícil é na volta, desesperado. Mas esse arame farpado aí, não tenho nada a ver com isso.



Isso tudo me lembra um poema do AC Swinburne, que eu gosto muito:

From too much love of living,
From hope and fear set free,
We thank with brief thanksgiving
Whatever gods may be
That no life lives forever;
That dead men rise up never;
That even the weariest river
Winds somewhere safe to sea.

-

Vai se fuder, já falei!

aqui está o vídeo da redublagem do star wars.
é ruim.
mas é bom,
muito bom!


terça-feira, 11 de julho de 2006

Frases do meu avô

"Os burros devem pedir a deus que os matem e o diabo que os carreguem"
Bom, Senhor, Cão, acho que está na hora...

-

Mais cannes



A Regina Augusto, do Meio e Mensagem, me mandou essa foto. Foi no hotel Majestic, lounge do Terra para ver a Copa. Acho que contra o Japão. Nós ainda tínhamos esperança. O engraçado é que no mesmo hotel tinha um lounge dos Japoneses. Eu fui no banheiro, entrei lá por engano e estranhei a frieza geral. Contei isso pro fotógrafo da Regina, um japonês também, e quando o japão tomou um gol, ele abriu a porta que separa os dois lounges e fotografou os japoneses atônitos, antes de ser cercado por oito seguranças. Dizem que a Yakuza está atrás dele até hoje.

-

Lot's Wife, 2000






ITP Project. Physical Computing. Sistemas de Narrativa, ou como interagir com o computador sem usar o trio teclado, monitor e mouse.

Esse projeto ficou seis meses em exibição permanente na Tisch School of the Arts.

Componentes:
- Caxa de Plexiglass com sal grosso
-Microchip bx24, programado em basic, que controla os motores e recebe e conversa com o computador
-12 motores elétricos, com parafuso fora de centro pra vibrar
-câmera de video, que age como sensor, conectada ao mac
-Macromedia Director
-Track Them Colors

A câmera vê a caixa. O computador analisa o video frame a frame. Cada motor tem uma area de controle. Se a quantidade de pixels que mudar dentro da área de controle for maior que o limite (como se uma mão aparecer), ele pede pro chip ativar o motor

Então você desenha no sal. E o ato de fazer os desenhos é o que faz com que eles desapareçam, como cartas na areia – ou no sal.

Além disso, tem os lados tátil – do prazer de brincar com o sal e sentir as vibrações, e auditivo – que cada motor soa de uma forma, e a caixa vira um instrumento musical, ainda que hermetista.

E a esposa de Ló, injustamente punida. Antes de massacrar Sodoma, o anjo disse vá embora e não olhe pra trás. Preocupada com as filhas que se recusaram a deixar a cidade, a esposa de Ló (que não tem um nome) olhou pra trás e foi transformada em uma estátua de sal. Segundo alguns, por ter visto os anjos em plena carnificina e genocídio. Deus não gosta de cientistas.

sábado, 8 de julho de 2006

Matemática - 2003

Uma palavra quebra a página. A primeira foi uma, mas também foi a sétima. A primeira sétima foi a décima quinta, e a segunda foi a décima oitava. A segunda primeira foi a décima sétima. A quarta sétima foi a a trigésima quinta, a quinta foi a trigésima oitava, e a terceira quinta foi a quinquagésima terceira. E desde que a palavra uma quebrou a página, a página já foi quinta, sexagésima sexta e sexagésima oitava.

Le Moulin Rouge, 2002










Às 9h da manhã o telefone toca. É o Roberto Sadovski, editor da SET: “Precisamos de alguém aí em Nova York pra entrevistar o Baz Luhrman, em uma hora. Topas?” Pulo da cama e corro para o Morgans Hotel, na avenida Madison. Chego esbaforido e o porteiro avisa “Moulin Rouge, elevador da direita”. Mas nada na telefonema havia me preparado para o mundo de cortinas vermelhas que se abriu junto com as portas do elevador.

De saída, duas lindíssimas cortesãs francesas de lingerie e plumas me pegam pelo braço, e me levam para a sala de espera. Descubro que sou o último da fila para a entrevista, que aliás vai atrasar. A seleção musical é composta de Lady Marmelade e My Song, sem parar. Sem parar, sem parar. Insuportável...

O barman prepara uma bebida verde. “Absinto?”, pergunto entusiasmado. “Apple Martini”, responde ele. São onze da manhã. Minha entrevista vai ser só às 3h. Outra cortesã entra na sala e põe um morango na minha boca. Já me esqueci da entrevista.

Horas depois, uma loira alta diz “vem, está na hora do seu passeio”. Meu coração dispara... Andamos através de cortinas vermelhas até uma porta, e uma menina de smoking avisa que a sala está pronta. A cortesã me puxa pela mão e súbito me vejo no quarto de Satine. Eu deito na cama. A menina de smoking tenta me mostrar alguma coisa do DVD (os astros? Ou a dança?) mas meus olhos não largavam a lingerie preta.

A próxima parada é a sala do Absinto, com boêmios em almofadas e um divã. Quando eles começam o discurso sobre o DVD, eu pergunto: “quantas vezes você já repetiu isso hoje?” Todos riem, alguém me pergunta furtivamente se eu quero absinto. Me servem um liquido verde, e quando levo o copo à boca, cores e luzes verdes e azuis se alternam em extrema psicodelia. Engulo a bebida e comento com a fada verde “que gosto horrível”. Ela pisca e diz que é gatorade, mas tem apple martini na entrada.
E eu não sei?

Depois de mais quatro salas extraídas diretamente do Moulin Rouge e mais outra sessão de martinis e bate-papo, a chefe das cortesãs finalmente aparece para me buscar: É minha vez! Pego meu bloquinho e minha mochila, trançando as pernas já, enquanto minhas "francesinhas" se despedem soprando beijos.

Trezentos toques

Uma vez me convidaram pra participar de um concurso de contos, em 300 toques no máximo. Mandei esses dois, que mesmo hj me parecem, hm, singelos.


1)
Saíra atrasado. Ia perder o famoso churrasco do zé. Chovia cinzento, pressa desatenta, parabrisa embaçado e uma vaca bum. Acordou coberto de sangue. Seu ou da vaca? Tentou alcançar o pãozinho no porta-luvas. Sentia-se anêmico e o socorro talvez demorasse a chegar. Acordou no hospital: tinha nascido.

2)
Um passo. E atrás, a porta desaparecera. Sem opções, seguiu, até achar outra. Bateu e abriram-lhe. Sentou-se com os outros, tomaram chá e ficaram naquela conversinha miúda. Depois de meses, levantou-se e voltou ao lugar onde a porta original sumira. Antes um corredor sem fim que ouvir essa gente.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Mais sobre o humor inglês

Se humor inglês fosse uma religião, o aeroporto de Heathrow era aquele lugar onde as pessoas rezam.

Primeiro, você e sua mochila passam por um raio-x pra sair do avião, e outro pra pegar a escada rolante que leva ao ônibus. Câncer: humor inglês. O ônibus é quente, não tem ar condicionado e todas as janelas ficam lacradas. Vc está suando muito, antes mesmo dele se mover. Na contramão. Aí o sádico do motorista avisa que este passeio para o terminal 3 leva pelo menos cinco minutos. A mesma mensagem, repetida em francês, fala em doze. Ele se arrasta, sempre atrás do carrinho das malas de uma companhia coreana. Uma eternidade depois, terminal 3. Raio x, "balcão da Varig" - humor brasileiro mesmo - e então seis horas de Heathrow.

Ceci n'est pas un airport, é um shopping fucking center. Quase uma Disney só de lojas. E tudo está em super promoção, mas ainda assim é em pounds e em aeroporto. Combinação fatal, que revela o embuste do tal 50% off.

Placas espalhadas dizem Se você vai pro terminal 32, reserve quarenta minutos de caminhada. E eles só dão o número do seu portão uns 15 minutos antes, e ficam vendo pelo circuito fechado de TV aquele bando de deseperados correndo e arfando pelos longos corredores.

Eu por outro lado, não estava nem aí, depois de 3 bloody marys na sala vip da SAS... Ou ainda, médio. A sala vip, mesmo da scandinavian, tb é recheada do senso britânico de comédia:

-Tem uma salinha pra dormir, mas nenhum despertador.
-Tem Playstation2 pra jogar, mas depois da derrota do brasil tiraram todos os jogos menos o de futebol.
- O bar fica muito perto do internet lounge. Bloody Mary e MSN - uma combinação perigosíssima. E o bloody mary mix deles é bom!!! (especialmente depois de acrescentar sal, limão tabasco e azeitona...)


vídeos de virar a cabeça

A captura foi de lado, com o celular. Para evitar torcicolos, vire seu monitor...
Nada de mais anyway...

1) Descida da Torre Eiffel. Falta o comecinho do video, que deu pau.



2) Saindo De Cannes
Desde o lugar onde pega o ônibus pra Nice, perto da praia, até uma parte do caminho pra Nice, onde eu cansei de ficar segurando o celular.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Paciência, Pequeno Gafanhoto

Matéria do jornal Propaganda e Marketing de segunda, 3 de julho de 2006.
Cannes gera mais sementes que frutos. Regamos a suor lágrimas. Bata bem.
Se a massa não crescer, colocar a cabeça no forno pré-desaquecido. Não usar fósforos.

Segundo os nossos arquitetos, o Paulo parece o Brad Pitt - em os 12 macacos. Clique.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Meu querido sócio, Larry

Em Cannes, jantando no Hotel Carlton.

A foto captura um momento especial
- Antes de passar um fenomenal sabão (em inglês) no garçom (francês).
Um raro prazer.

E depois.

A seu lado sua grande companheira, a doce Carol.


Tudo que é sólido se desmancha no ar

E assim, estou de volta ao Brasil e aos meus gatos carentes. E mesmo a memória de ter viajado começa a evanecer na estação das brumas. Mas antes da total obliteração de pensamentos e sensações ainda deve surgir uma história, ou outra....

Até deus precisa de saída de emergência



(Mais uma em Notre Dame)


Quando Deus percebe que a casa está cheia de turistas fedorentos, que os padres não vão tocar sua banda preferida, Siouxie and the Banshees, e vão continuar com essa besteira de canto gregoriano, ele sai de fininho, por essa linda escotilha aí de cima.

Já seu colega de quarto, o diabo, sai pela porta da frente - mas pelas mesmas razões.

Resposta a um antigo enigma...

Restaurante em Cannes, no famoso Pelourinho, peço um Gazpacho e um Salmão Tartar. Ambos vem enfeitados com um pequenas bolinhas vermelhas, translúcidas, que prontamente como, rezando pra que não enfeitem o prato com nada venenoso. As bolinhas eram adocicadas, levemente azedas. Muito bom...

Chamei a garçonete e perguntei, que diabo de fruta é isso? Nunca vi nada assim na minha vida!!

A resposta me deixou estarrecido: Groselha. Aquilo que a Milani tem uma plantaçao secreta pra fazer aquele xarope que reinou na minha infância e na dos meus contemporâneos, mas que ninguém jamais vê. Poderia ser xarope de sangue de urso polar, pelo que eu sabia.

Depois em Paris, encontrei pra vender, ao lado das framboesas. E pra quem também nunca viu uma Groseille, aqui vai:

É tudo verdade que é tudo mentira


E aqui está a foto pra provar. Scooter BMW, com cinto de segurança, teto saiote e o escambau.

Exposição do Peru

Dois males do mundo cotidiano em um post só: auto-promoção e trocadilho infame. Mas enfim, fui convidado para participar de uma exposição no Peru, patrocinada pela Fundación Telefónica, e curada pela linda e talentosa cineasta Juliana Mundim. Aqui vai o comprido flyer, mas é retroativo porque a exposição já acabou...
(obviamente, com nome escrito errado. mais sobre esse tema depois, clique para etc)


segunda-feira, 3 de julho de 2006

Veado ou Truta?

- Como Assim?
-Voce quer terrina de veado ou prato de truta?
-Minha senhora, digo pra aeromoça da varig, não entendo essas gírias.
-É a entrada. A terrina de veado é como um salame. E truta é um peixe...
- Eu pediria peixe, mas não sei se confio no peixe de vocês
-(ofendida:) como assim o nosso peixe?
-Ah vocês estão falindo e tal. Mas, sério, o que você sugere?
- Eu sugiro o veado.
- tá
- Para prato principal temos massa, peixe ou cordeiro
- O que você recomenda?
- O cordeiro. combina com o veado.

O cordeiro estava super seco, devo ter feito algo pra ele, e o veado parecia um spam enlatado inglês. Obviamente o avião foi recarregado no Heathrow - a cozinha britânica é apenas uma expressão do seu humor.

Resultado final: Dormonid 1 x 0 Comida-de-avião

Futebol em Francês

Tive o azar de assistir à derrota do Brasil em Paris. Há quem diga que menos mal, pelo menos é Paris... Mas essas pessoas não andaram o dia inteiro com uma camisa do brasil falando "Catre-a-un!!Catre-a-un!!" e "vouz mon paye for catrevingt-dizuit!". Tinha até coxinha, várias bandeiras, apitos... A seleção só me faz passar vergonha. E no dia seguinte, com a dupla tristeza de ir embora e a da derrota do Brasil, lá estava eu, preso em um taxi a caminho do charles de gaulle, falando em uma língua que não conheço sobre um esporte que mal entendo.

O que não me impediu de emitir fervorosas opiniões sobre todas as seleções, para o diabo daquele francês alegre.

sábado, 1 de julho de 2006

Les Miserables

Na mesma Ilha de Outra-Ilha-Perto-da-Ilha-que-tem-notre-dame-sobre-o sena, me deparo com essa cena, que a foto não mostra porque todas as minhas fotos são tiradas com o celular e a câmera, obviamente, é uma merda pra qualquer coisa menos thumbnails. Estou na ponte, uma ponte só de pietons, que é o francês pra desocupado. Atrás de mim tinha uns caras tocando sax, já fazendo um clima. Nessa rampinha aí da foto tinha um mendigo francês, que vamos chamar de Vitor Hugo.

Os mendigos franceses são uns folgados beirando o inacreditável. Imagina toda a atitude de um francês, e que o cara tenha sido obrigado a assistir Os Miseráveis, o musical (sim, o musical. Confesso que odeio musicais. Os caras ficam cantando "agoooora vouuuuu no banheeeeeeeirrooooooooo". Odeio musicais desde criança, quando os desenhos subitamente passavam para "e agora siga a fucking bolinha luminosa"), e que esse cara tenha também toda a raiva e rancor de um legítimo destituído, e nunca será pouco reforçar esse ponto, tenha toda a atitude de um típico francês... e aí você tem o uber-mendigo, que excede em folga todos os seus pares mundiais.

Mas o Vitor Hugo não parecia folgado, não. Tinha um cachorrinho pequeno, manchado de branco e preto, que vamos chamar de manchinha. E o manchinha ensaiava de entrar na água e voltava. E Vitor Hugo dizia, vai lá manchinha, vai lá!! L'eau!!L'eau!!L'eau!! O manchinha olhava pra ele, botava as patinhas na água e voltava saltitando, alegre, feliz, abanando ativamente o rabinho, uma graça E o manchinha corria e entrava um pouco na água e voltava alegre como uma criança que diz olha o que eu fiz, eu fui lá, eu fui lá .

Achei a cena linda e bucólica, uma lição de companheirismo, de sorrir ante a miséria e tal. Depois me ocorreu que o Vitor Hugo estava, possivelmente, apenas lavando o jantar.


Toda uma geração perdida?

Um verdadeiro enxame, elas ocupam todos os lugares e todas as ruas. São lindas, charmosas, usam vestidos esvoaçantes, estão suavemente maquiadas e fumam – o que dificulta descobrir a idade, mas até aí até os bebês fumam. Não parecem ter mais que 16 anos. Andam de mãos dadas, às vezes, com namorados igualmente jovens, ou ainda mais jovens, cobertos de espinhas. O que há aqui? Houve uma revolução do amor, um baby boom no fim dos anos 80? Campanha de repopulação da França? Ou as francesas conservam-se por mais tempo, depois saltando direto para os 30. Sim, porque aqui aparentemente só tem lolitas e balzaquianas. E a geração perdida? Devem ter sido vendidas como escravas brancas.

Ou então o erro de percepção é meu: como mesmo de férias aqui ainda trabalho pela manhã, passeio às tardes. E quem está na rua às tardes? Turistas, mendigos, velhinhos, eu e francesas em idade escolar.

Mas como já abandonei os caminhos da ciência, prefiro explicações que envolvam aliens, cultos de magia negra, uma mão invisível que rege os mercados e roupas de banho, aqui conhecidas como maillot...