segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Cachaça : Ringues de Orégano

Um belo dia o Cachaça vai buscar um “orégano” que tinha encomendado com o Juba. Hoje em dia Juba refere-se à forma do cidadão, como em “Jubarte”. Na época ainda era pelo cabelo estranho.

Chegando no ponto de encontro há um intenso desentendimento em relação ao tamanho do pacotinho. O Juba responde de forma ríspida e o Cachaça se indigna. Quando indignado o Cachaça é um personagem primorosamente divertido, ainda que talvez não para suas vítimas. Ele fala alto, abana os braços como quem está prestes a alçar vôo e ferve de raiva. Imagine que um cruzamento entre um pinguim e um pimentão fosse epilético.

Também um ser de pouca paciência, já tendo recolhido o dinheiro, e possivelmente sem perceber que o Cachaça reajustou o valor, o Juba joga o pacote de orégano dentro do carro, sem dar qualquer satisfação e ainda movendo a cabeça com desdém.

O Cachaça engata a primeira e sai sem responder, ou ainda, sai dizendo – entre ríspido e efervescente: "moLEQUE!" “MOLEQUEeee!”

Anda um pouco, volta, sai do carro, bate a porta e grita: “Moleque!”
Volta pro carro, anda mais uns dois quarteirões, bate na direção, sai do carro quando o farol fecha, chuta o pneu e grita: “Moleque!!”
Essa cena se repete em quase todos os faróis vermelhos até chegar em casa, uns dez quarteirões depois.

Assim que entra em casa toca o interfone:
“Ô Seu Cachaça, tem um moço aqui querendo falar com o senhor”
O Juba arranca o interfone da mão do porteiro e diz:
“Desce aí!!! Desce aí!!!”

O Cachaça decide encarar. Abre a porta, chama o elevador e diz pra si mesmo: “Hm, vou tirar os óculos porque se brigar vai ser um ponto fraco. E custa caro.” Volta pra dentro de casa e deixa os óculos. Chama o elevador de novo.
“Hm, se eu brigar de socos pode chegar a polícia, então é bom ter um documento”
Volta, pega o documento e chama o elevador. E esse processo se repete mais algumas vezes, com o Cachaça colocando uma bermuda, tênis, outro tênis e assim vai, sempre com o mesmo raciocínio street fighter.

Quando o Cachaça finalmente desce, sai do elevador e entrega o relógio pro porteiro, encontra o Juba arfando na portaria. Arfando porque veio correndo emputecido atrás do carro do Cachaça, mas sempre que chegava perto, o Cachaça, sem se dar conta, andava de novo com o carro. Nessa época o Juba ainda conseguia correr.

Eles so olham durante alguns segundos, se examinando pra briga, dando peitadas como dois galinhos de briga. Aí o Juba diz: “Pô Cachá, não quero brigar...
E eles sobem pra casa do Cachça pra queimar orégano.
Enquanto preparava o cigarrinho, o Cachaça diz: esse aqui eu comprei recentemente, mas veio super miguelado, é foda.

E o Juba começa a destruir toda a sala, começando com as louças da mãe do Cachaça, que acorda no dia seguinte em uma banheira cheia de gelo, com um galo na cabeça, sem saber se falta um rim, jóias ou as pilhas do controle remoto.

1 intromissões:

madame disse...

sou fã do cachaça.